Perspectivas Osteoporose

Durante muito tempo, o desgaste mecânico da cartilagem, devido ao uso continuado e inevitável de uma vida em movimento, foi considerado o principal mecanismo responsável pela destruição da cartilagem articular. Assim sendo, a OA seria uma inevitabilidade do nosso próprio envelhecimento e pouco ou nada poderíamos fazer para alterar o seu curso. Porém e embora a idade seja inegavelmente o principal factor de risco para a OA, nem todas as pessoas desenvolvem a doença, mesmo considerando as faixas etárias em que a prevalência é maior. A questão que surge naturalmente é pois, como é que o envelhecimento favorece o desenvolvimento desta doença? Apesar de estarmos ainda muito longe de encontrar a resposta cabal a esta questão, nas últimas décadas e graças ao desenvolvimento e aplicação das metodologias da Biologia Celular e Molecular ao estudo da fisiologia da cartilagem e da patogénese da OA, foram identificados vários processos celulares a nível do condrócito que parecem desempenhar um papel relevante na génese e progressão da doença, constituindo, assim, potenciais alvos terapêuticos. Os SySADOA ou DMOAD já introduzidos na terapêutica são exemplo disto mesmo, actuando em muitos daqueles processos. Mais recentemente, tem vindo a ganhar consistência uma nova hipótese segundo a qual a senescência ou envelhecimento do condrócito altera a sua capacidade de resposta aos inúmeros estímulos mecânicos, inflamatórios e traumáticos a que a cartilagem está sujeita, levando ao desequilíbrio das suas funções biossintéticas e consequentemente ao desenvolvimento e progressão da OA. Esta nova perspectiva abre um campo completamente novo para o desenvolvimento de terapêuticas dirigidas directamente à reversão dos processos responsáveis pelo envelhecimento celular, de modo a restaurar a capacidade de resposta do condrócito àqueles estímulos. Embora esta hipótese esteja ainda num plano conceptual, abre já a possibilidade de a OA não ser o preço inevitável de vivermos mais, mas antes um desafio para a descoberta de novas possibilidades de intervenção terapêutica.

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